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BENVINDANÇAS

bem vindo ao tempo em que centopeia era carro de guerreiros/
bem vindo ao castelo do último vampiro associado ao último dos dragões/
bem vindo ao amor do amor amado na chama louca dos compassos sussurrados pelo deus dos relâmpagos clamados/

bem vindo à torre em que o pirata espreita o sono povoado da princesa, sabendo: conto de fadas é armadilha e só o otário espera compreensão/
bem vindo, sobretudo, à terra de uma política tão incorreta, que dizer o que pensa é obrigatório na luta pela vida que mantém a cabeça no pescoço

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sexta-feira, 30 de julho de 2010

EVIDÊNCIAS

A estrada é feita de olho e de sonho
as botas marcadas pelo Adeus.

O Anjo embainha a espada de raio
no olho cego - tambor dos cânticos!

Animal como a vertigem
- o sexo, real como o pedido: o amor,

das chamas flechadas pássaros rolam
arruinando profecias,

dos clarins mel escorre derramando rosas
sibilantes e rasgando lagartos que liberam
príncipes e odaliscas das peles incendiadas.

O céu vigia pelo sol, cujos cavalos
são nossas preces,

e se minhas mãos modulam
as asas agitadas dos anjos
é porque não tenho tua alma
para equilibrar-me os olhos,
e o teu corpo é distante
- feito o sonho uma tenda solitária.

Eu esqueço as evidências
só o mistério entende o teu amor,
confeito-te no sexo chocolate,
e levanto o martelo dos deuses
para que os trovões domados
ecoem o acalanto
dos nossos excessos de amantes

quarta-feira, 28 de julho de 2010

DESTINO de ATEU

Desde o dia em que te vi,
vivi a loucura e não voltei,
como só os astronautas
que vão morrer em Atlântida.

Tua voz de pássaro descrevendo
ouro num buraco da lua,
teu cheiro de navio pirata naufragado
para servir às orgias das sereias,
teus músculos de amante selvagem
surgida das espumas do mar,
me levaram ao puro delírio
dos desembarcados na terra encantada.

Te saber inalcançável inspira
o descobrimento de novas Américas
ir é o meu destino de ateu
no deserto que serve de prisão aos anjos rebeldes
chamando o desterro e seus seguidores,
os deuses vieram a pé, de ônibus, de caminhão,
vieram reis banidos de todas as terras
guiados pelos seqüestradores sem crença ou ideologia

A mulher de negro dá de comer
aos raios no alto da torre,
enigmas fazem das instituições
disfarces do caos,
atiro moedas e batatas da janela
sangrando o vício dos miseráveis

Ando nu no bosque que tem
sempre a mesma árvore
ansiando a noite apenas por ser noite
vendo teus cabelos sumirem em cada curva.
Entro em você quando mergulho no lago
quando mergulho no lago entro em você
e saio das águas com os braços vazios
do teu corpo de Fêmea do Poente

segunda-feira, 26 de julho de 2010

CONFIDÊNCIAS ON-LINE

Tantos dias rodando nas estradas
deixando p’ra trás cidades
que os nomes nem sei
tudo porque preciso encontrar você
A chuva forte encharca as roupas
a lembrança permanece quente
não existe motivo de voltar atrás
tenho que te encontrar não importa aonde
Tudo o que eu tenho de você é uma foto
e sigo revirando estradas e hospedarias,
perguntando aqui e ali
medindo teu rastro pela sombra e pelo sol
Preciso encontrar você não importa aonde
Só porque estamos distantes
não quer dizer que não te ame,
confidências on-line
sinto tua presença em mim
feito coração e carne,
você faz parte da minha vida
e tudo começou com uma mensagem
A poeira da estrada desaparece
levada pela chuva,
você se tornou parte de mim
feito coração e feito carne
e tudo começou com uma mensagem.

BABILÔNIA

Pedras preciosas pegam fogo,
dos lagos vapores sobem anjos,
pedras preciosas melodiam chamas,
na estrada o mal é valente e sensual,

assassinos ganham as muralhas
e decifram o horizonte,
o tigre encarnado no homem
ao nascer da lua mostra o desdém.

Enganemos os guardas
é hora de entrar na Babilônia,
sigamos com os ciganos, meu bem,
como saberão dos anjos
em missão de extermínio?

Pela noite coalhada de luz
gotas de sangue escorrem da lua,
o chacal avisa que o covarde
não encontra abrigo nas sombras sibilantes.

O casal guarda a fertilidade da filha
na jaula, é preciso pagar
para ter linhagem, olha meu amor,
como se corrompem os fiéis da fartura e da vadiagem!

Não adianta sonhar como poeta
- a Babilônia cunha moedas,
não adianta o milagre,
mede-se fácil a alma do ordinário.

Venha comigo pela longa avenida das sombras,
ao redor das fogueiras os pecados borbulham
nas garrafas cheias de almas, o demônio
que o anjo numerou na face
trafica sonhos pervertidos com o pastor.

Venha, mulher cujo sexo é o canto de um pássaro
nascido dos sonhos de um casal de anjos enamorados,
venha, minha fada do cio, em algum lugar seremos felizes,
deixemos a Babilônia queimar no vício,

segue comigo, vestida apenas com o vermelho
da tua nudez mais fêmea que a Aurora,
montemos nos cavalos ferozes do coito sem piedade, a gente má
é do passado, todo o deleite é do amor o nosso refúgio abençoado.

A NATUREZA É uma CANÇÃO

Ao despertar, a Aurora cobria a Nudez
com as chamas que me faziam enxergar
a realidade das lendas. Ouvi
a tecelagem cancioneira das aranhas, e eis
que o indulto da miséria me permite
tirar dos olhos a venda
e a magia é plena.

Eu testemunhei a Aurora pingando dos seios
o orvalho brilhante que inebria
a adolescência da lucidez,
a Natureza é uma canção entoada
por todos os seres, o silêncio apenas
o sono da sensibilidade,
as pedras rumbam a magia eterna.

Ver-te Aurora é entender
na Sensualidade a curva
que desloca o sol
sobre a única nobreza humana:
o elo selvagem com o infinito
- o caminho do Éden
é pelo corpo amante

SEXO & CIÊNCIA

As personalidades mais luminosas
da minha época dormem na calçada
entre a droga e o estelionato

Esta não é a terra receptiva
ao Anjo condenado a arrastar a sombra
colhendo as laranjas podres da estrada,
esta é uma terra de igrejas negras
- a monarquia réptil
cintila espadas lavradas dos ossos dos inocentes

Eu encontro a filha do negociante de cabeças
apaixonada pelo rei do tráfico
procurando entendimento e significado,
de ouvido colado no poço
esperando alguma notícia real/
aves descem-lhe docemente pelos suspiros

Por onde quer que eu vá
as pessoas trancam as portas
não querem presenciar
o cumprimento das promessas

O chacal crava a lança
no meio do horizonte, é hora
de encarar as possibilidades

As lágrimas de um anjo revoltado
com a escuridão das almas viciadas
materializam a mulher indecifrada
reinando no mundo baixo dos crimes
patrimoniais perpetuados nas escavações
religiosas cuja lógica é o encontro
do Universo com a modernidade

Rufam os tambores do Paraíso
os anjos de Atlântida
gritam nas celas
e a nova esotérica
é esquecida
porque sexo e ciência
dominam os sentidos

Eu não trago disponibilidades
a perfeição reside no esquecimento

CATACLISMOS, BABY, e DAÍ?

Eu vejo o zíper do céu abaixado,
por onde anjos enegrecidos pela fumaça
dos combates rolam, urrando
a música que não cabe nas harpas.

Eu vejo a justiça nua e sangrada no ventre
envolta nas serpentes da ironia
e os cataclismos aparecerem, enquanto
cada adão na fila errante descia expulso

às favelas minotáuricas dos esqueletos
pendurados nas árvores, nas mãos a fórmula
de uma raça errada escorre o sangue das desculpas
que divertem os tribunais

No túmulo do deus dos trovões e dos raios
o urubu aguarda a nuvem ocultar o sol,
então, o tropel místico da ignorância
estremecendo as estradas soluçantes

dos coiotes e das velhas vadias, apresenta
o marginal conspiratório dos heróis,
cujos delírios grafitados nos muros dos quartéis
inaugura o estágio final da covardia,

o que você queria? são assim mesmo os cataclismos, baby, e daí?

UMA CANÇÃO AMERICANA

América não é só chapéu e espora de caubói,
América é muito mais do que jazz e rock'n'roll,
América é muito além de Hollywood e limousine,
América não é só bater falcão no peito
e torturar inocentes evangelizando o lucro.

América sempre foi aqui, entre desabamentos
de Ano Novo (na verdade o Ano de Sempre),
América sempre foi aqui, no gueto
e no esparramo da miséria pela metrópole,
América sempre foi aqui, um aqui de olhar p'ra dentro.

América sempre foi aqui, um aqui
de oração mal feita e de medo permanente,
América sempre foi aqui, a propina
e a mentira midiata tão americanas
quanto a coca-cola e o guaraná

Eu conheço a América pelos becos,
pelos velhos abandonados dos viadutos,
nas crianças vendendo o corpo enquanto cheiram
o dejeto da droga do burguês,
eu conheço a América no Juiz implacável com o fraco.

Quando for daqui a pouco
o tarde demais soprará as vozes proféticas
dos que sempre morrem em vão, porque na América
morre demais quem vive pelo irmão, quando for mais
que tarde, o sonho desmanchado na aquarela

escorre na sarjeta até o mar

domingo, 25 de julho de 2010

MEGATONS

Quinto-sexo soterrado em metais!
cibernética perda da carne,
na curva, embaixo da escuridão
os lobos espreitam
- esta noite o amor morrerá
atraiçoado
pombos degolados ensanguentando
as igrejas aos megatons

Sereias mentoladas chupando sorvete de fogo do Anjo Tarado
no céu marginal repleto de anjos de bundas de aluguel
expostas nas rochas ensanguentadas sobre as nuvens
mercenários

Lady Vampira ligando a Cidade do Metal
na tomada do Cio do Sonho com a Estrada,
meus braços áridos de você aurora borrada de lixo
microfonia no buraco negro Avenida devoradora caminhão fálico
quero correr numa cidade futurista e subnutrida esmigalhado
pela Beleza Devastadora da mulher nua cravejada por três esmeraldas
murmurantes quero beber o néctar do teu sexo num bar aéreo
emasculado pela suavidade viril das tuas mãos, bela violência
o Grande Fodido entrevera judicipárias e cirurgias alucinógenas
no aquário-metrópole corrompendo guardas de tridentes vivos 

e salta rodando rodando rumo à Porcaria Estrelada

VERBO BRASEADO

Eu recebo do meio das tuas coxas
uma ametista de tesão,
me deleitando de tal maneira
que anjo ou escravo
permaneço desacertando o tempo
numa conta que novesfora o quando

Cada passo de tango deslizado
na teu encalço desloca uma estrela
do mapa do pirata
como posso arrancar a confissão da minha sombra
se no céu planam olhos que me 'spionam o sonho?

Seja como for, as carências do amor
me chamam o vampiro,
eu chego - na mão a guitarra passareda
ecoando verbo braseado
que assaudada o presenteio
do teu bosquear de mulher

sábado, 24 de julho de 2010

MAJESTADE de MULHER

Canibais de um amor sem freios
em nossas carnes os devaneios
revelam a noite quente dos rituais

Eu te levanto o sexo celebrando mais
que a vitória do te possuir completa,
para além de ti na mulher a fera
desperta quanto mais te encharco de fúria

Teu corpo é um santuário
em que a alma badala maravilhas,
o teu líquido sagrado é a lágrima
dos anjos que te sonham noite afora

Eu apenas te quero no mais que tudo eterno
e muito mais que te querer te faço
abusando das taras no corpo que exploro,
porque sei que te dominando
sou teu escravo

Enfeito o centro das delícias tuas
com a rosa de todas as orgias
busco no teu sexo além do cheiro
que embriaga, encher a alma
das riquezas que dão número
à tua majestade de mulher

Eu te chamo retirando flores
das gotas de chuva, sou teu amo
aonde fores, e se te mando
é porque sendo o cavalo da tua monta
cubro-te nas ancas o prazer louco
que só é maior até que acasalados
mostremos quanto o havido antes ainda é pouco

terça-feira, 20 de julho de 2010

VIOLÃO SORRIDENTE

Nos meu olhos eu coloquei asas
e joguei no céu p'ra te espiar
fui tão longe mas tão longe
que só no mundo dos tristes
entendi o que é o Amar

Mas, meu violão sorridente 'inda resiste
coloquei voz nas asas das borboletas
que aos teus ouvidos espalham cores
que dizem sem fim o quanto te amo, e busco
nas ruas as sombras do meu chamar-te mais louco

Eu subirei os degraus das estrelas
depositando as rosas do meu amor por ti
no altar que te levantei na lua,
p'ra que as noites te soprem inteira
o querer mais dos meus pedidos

e se cubro a nudez selvagem
com os vagalumes e as estrelas
que desenham a lenda pela lua no lago
é que despedi o passado dizendo adeus ao trem
e faço do amor a só maneira do te entender

p'ra ser meu bem

segunda-feira, 19 de julho de 2010

ÚNICA

É a essência
que faz a Natureza
cantar na tua face

Belamente linda
tua Carne é a pintura
de uma Alma extasiada

A Beleza da Mulher
é ser distante,
o instante no Amor
vale o sempre

A lua é uma lágrima
da Natureza
sonhando o teu ser

A distância
que me entrega
você pelo desejo,
é a saudade sorrindo pelo olhar

É a essência
estrelada na tua face
que faz o céu corar pelos sóis
ao te ver belamente única.
única de tão bela